Eu sou sim a pessoa que some, que surta, que aparece do nada, que fica porque quer, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera, que estraga uma semana só pelo prazer de ser má. Que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico. E espera impaciente ser salva por uma metade meio interessante que me tire finalmente essa sensação de perna manca quando ando sozinha por aí, maldizendo a tudo e a todos. Eu só queria ser legal, ser boa, ser leve. Mas dá realmente pra ser assim?
Ei mãe? Você ta me escutando? Mãe? Posso falar? Queria te pedir desculpa por todas as vezes que eu te ignorei, falei coisas horriveis, briguei, chinguei, gritei, bati a porta na tua cara, fiquei bravo. Foi tudo por birra. Não liga não, esse é meu jeito. Mãe? Tá me escutando ainda? Eu queria dizer que eu te amo tá? E que você e a pessoa mais importante na minha vida tá MÃE?